Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est nait d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


 ACTUALITÉS DU BLOG / NOTIZIE SUL BLOG



Homem comum

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Ferreira Gullar »»
 
Dentro da noite veloz (1975) »»
 
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Homem comum
Uomo comune


Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.

Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bocas bafos bacias
bandejas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar.

Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.

Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
Homem comum, igual
a você,
 cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio
mancha a paisagem
turva as águas do mar
e a infância nos volta
à boca, amarga,
suja de lama e de fome.

Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas.
Sono un uomo comune
di carne e memoria
d’osso e d’oblio.
Vado a piedi, in autobus, in taxi, in aereo
e la vita spira dentro di me
panica
come la fiamma di un saldatore
e può
di punto in bianco
cessare.

Sono come te
fatto di cose ricordate
e dimenticate
visi e
mani, il parasole rosso a mezzogiorno
a Pastos-Bons,
gioie defunte fiori uccellini
faro nella sera luminosa
nomi che ormai non so più
bocche brusii bacili
guantiere bandiere bananiere
tutto
mescolato
quella legna profumata
che si accende
e mi fa camminare.

Sono un uomo comune
brasiliano, adulto, sposato, riservista,
e non trovo nella vita, amico,
nessun senso, se non
lottare insieme per un mondo migliore.
Fui poeta di rapido destino.
Ma la poesia è rara e non commuove
né smuove il pau-de-arara.
Vorrei, perciò, parlare con te,
da uomo a uomo,
appoggiarmi a te
offrirti il mio braccio
che il tempo è poco
e il latifondo è lì che sta uccidendo.

Che il tempo è poco
e lì ci sono la Chase Bank,
l’IT & T, la Bond and Share,
la Wilson, la Hanna, la Anderson Clayton,
e chissà quanti altri
tentacoli di piovra a succhiarci la vita
e la borsa
Uomo comune, uguale
a te,
 attraverso l’Avenida sotto la pressione dell’imperialismo.
L’ombra del latifondo
macchia il paesaggio
intorbidisce l’acqua del mare
e l’infanzia ci risale
alla bocca, amara,
sporca di fango e di fame.

Ma siamo molti milioni di uomini
comuni
e possiamo formare una muraglia
coi nostri corpo di sogno e margherite.
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Cândido Portinari
Migranti (1955)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Canção


Nom :
 
Recueil :
 
Autre traduction :
Nuno Rocha Morais »»
 
Últimos Poemas (2009) »»
 
Italien »»
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Canção
Chanson


Primeiro, a viagem esburacando-se
Por ruas mais e mais estreitas
Num autocarro fumegante
Até essa casa de subúrbio;
Depois, à chegada, tu,
Luminosa, sorrindo à porta,
Envolta num veludo de perfume,
Cascata de caracóis castanhos –
Tudo o que sobrevive do teu nome.
Na sala, à nossa volta, absorvendo tudo,
O âmbar de uma canção,
Precisamente esta que adolesce a noite
Tantos anos depois,

A canção que ainda és e és apenas.

D'abord, le voyage qui se remplit de trous
Par les rues de plus en plus étroites
Dans un autocar fumant
Jusqu'à cette maison de banlieue ;
Ensuite, à l'arrivée, toi,
Lumineuse, souriante à la porte,
Enveloppée par le velours d'un parfum,
Une cascade d'escarboucles châtaines –
Tout ce qui survit de ton nom
Dans la salle, à notre retour, absorbant tout,
L'ambre d'une chanson,
Précisément celle qui ravive la nuit
Après tant d'années,

La chanson qui est encore et presque toi.


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Marc Chagall
Coq rouge dans la nuit (1944)
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« Le bal au Moulin de la Galette »


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Recueil :
 
Autre traduction :
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Últimos Poemas (2009) »»
 
Italien »»
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«Le bal au Moulin de la Galette»
« Le bal au Moulin de la Galette »


A dança é a primeira arte da metamorfose:
Operários, costureiras, que a música arranca
Ao seu torpor de primeiros autómatos,
Ligam-se aqui pelos fios de ínfimas narrativas
A burocratas, marginais, impressionistas,
Sob a luz caprichosamente coada pelas árvores
De um domingo à tarde, em Montmartre.
Mas como saber quem muda? E como? E quanto?
E mudará alguém que esteja no quadro?
Artes políticas, a dança e a pintura,
Precisamente porque omissas –
Como se, esquecendo, não esquecessem,
Mas antes gritassem, a pólvora, as barricadas,
As baterias, os fuzilados da Comuna,
A construção, em represália, de uma basílica,
Sinal de vigilância moral
Sobre as facilidades da virtude, os ritmos dissolutos.
A dança e as suas íntimas narrativas
Pintadas com paciência chinesa
Sobre a porcelana de um domingo à tarde,
Pintadas com os olhos de um pescador.

La danse est l'art premier de la métamorphose :
Ouvriers, couturières, que la musique arrache
À leur torpeur de premiers automates,
Sont reliés ici par les fils de récits infimes
À des bureaucrates, marginaux, impressionnistes,
Sous une lumière capricieusement tamisée par les arbres
D'un dimanche après-midi, à Montmartre.
Mais sait-on ce qui a changé ? Comment, et combien ?
Et quelqu'un changera-t-il dans ce tableau ?
Arts politiques, la danse et la peinture,
Plus précisément par ces omissions –
Comme si, oublieux, ils n'oubliaient pas
mais criaient plutôt, la poudre, les barricades,
Les batteries, les fusillades de la Commune,
En représaille, la construction d'une basilique,
Symbole de surveillance sociale
Contre les facilités de la vertu, les mœurs dissolus.
La danse, et ces récits intimes,
Peinte avec une patience chinoise
Sur la porcelaine d'un dimanche après-midi,
Peinte avec les yeux d'un pêcheur.

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Auguste Renoir
Le bal au Moulin de la Galette (1876)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité