Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


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Antes que anoiteça


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Antes que anoiteça
Avant que la nuit tombe


Antes que anoiteça
É preciso recolher os infantes que crescem nas ruas
E alertar o Capitão que há uma guerra!
Tomaremos Paris de assalto esta noite
Colocaremos sentinelas nas esquinas
E soaremos o toque de avançar
Às caixas de guerra!
Primeiro dobrado
Marche!

Antes que anoiteça
Abriremos apertos de mãos
E nos diremos sorrindo
Aprenderemos a sinceridade
A dizer quase sempre a verdade

Antes que anoiteça
Passaremos rascunhos a limpo
Descobriremos que a vida é feita de sete quedas
 e uns amores
Revolução do coração já!

É tempo ...
É tempo de colher os frutos
É tempo de falar do amor
O amor

Espalharemos rosas nos campos devastados
 pelas guerras!
Strawberry fields forever!
Campos de concentração – nunca mais

É preciso entender a poesia
Antes que anoiteça
Avant la tombée de la nuit
Il faut recueillir les enfants qui grandissent dans les rues.
Et alerter le Capitaine qu'il y a une guerre en cours !
Nous allons prendre Paris d'assaut ce soir
Nous posterons des sentinelles aux carrefours
Et nous donnerons le signal d'avancer
Avec les tambours de guerre !
À pas cadencé
Marche !

Avant la tombée de la nuit
Nous nous serrerons la main
Et nous nous dirons en souriant
apprenons à être sincère
À dire presque toujours la vérité

Avant la tombée de la nuit
Nous mettrons nos brouillons au propre.
En découvrant que la vie est faite de sept chutes et
 de quelques amours.
Une révolution du cœur maintenant !

Il est temps...
Il est temps de cueillir les fruits
Il est temps de parler d'amour
L'amour

Nous répandrons des roses sur les champs dévastés
 par la guerre !
Strawberry fields forever !
Camps de concentration – plus jamais ça

Nous devons comprendre la poésie
Avant que la nuit tombe
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Strawberry fields
in Liverpool (2019)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Canção


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Canção
Canzone


Primeiro, a viagem esburacando-se
Por ruas mais e mais estreitas
Num autocarro fumegante
Até essa casa de subúrbio;
Depois, à chegada, tu,
Luminosa, sorrindo à porta,
Envolta num veludo de perfume,
Cascata de caracóis castanhos –
Tudo o que sobrevive do teu nome.
Na sala, à nossa volta, absorvendo tudo,
O âmbar de uma canção,
Precisamente esta que adolesce a noite
Tantos anos depois,

A canção que ainda és e és apenas.

Dapprima, il viaggio disseminato di buche
Per strade mano a mano più strette
In un autobus arroventato
Fino a quella casa di periferia;
Dopo, all'arrivo, tu,
Luminosa, sorridente sulla porta,
Avvolta nel velluto d’un profumo,
Cascata di riccioli castani –
Tutto quel che sopravvive del tuo nome.
Nella sala, intorno a noi, assorbendo tutto,
L'ambra d'una canzone,
Esattamente quella che rinverdisce la notte
Come tanti anni fa,

La canzone che ancora sei e sei soltanto.


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Marc Chagall
Gallo rosso nella notte (1944)
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«Le bal au Moulin de la Galette»


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«Le bal au Moulin de la Galette»
«Le bal au Moulin de la Galette»


A dança é a primeira arte da metamorfose:
Operários, costureiras, que a música arranca
Ao seu torpor de primeiros autómatos,
Ligam-se aqui pelos fios de ínfimas narrativas
A burocratas, marginais, impressionistas,
Sob a luz caprichosamente coada pelas árvores
De um domingo à tarde, em Montmartre.
Mas como saber quem muda? E como? E quanto?
E mudará alguém que esteja no quadro?
Artes políticas, a dança e a pintura,
Precisamente porque omissas –
Como se, esquecendo, não esquecessem,
Mas antes gritassem, a pólvora, as barricadas,
As baterias, os fuzilados da Comuna,
A construção, em represália, de uma basílica,
Sinal de vigilância moral
Sobre as facilidades da virtude, os ritmos dissolutos.
A dança e as suas íntimas narrativas
Pintadas com paciência chinesa
Sobre a porcelana de um domingo à tarde,
Pintadas com os olhos de um pescador.

La danza è l’arte primigenia della metamorfosi:
Operai, costumisti, che la musica strappa
Al loro torpore di primigeni automi,
Vengono qui legati dai fili d’infime vicende
A burocrati, marginali, impressionisti,
Sotto la luce capricciosamente filtrata dagli alberi
D'una domenica pomeriggio, a Montmartre.
Ma come saper chi muta? E come? E quanto?
E cambierà qualcuno presente nel quadro?
Arti politiche, la danza e la pittura,
Esattamente perché smemorate –
Come se, dimenticando, non dimenticassero
ma piuttosto gridassero, la polvere, le barricate,
Le batterie, i fucilati della Comune,
La costruzione, per rappresaglia, d'una basilica,
Simbolo di vigilanza morale
Sulle impudenze della virtù, sui ritmi dissoluti.
La danza e le sue intime vicende
Dipinte con pazienza cinese
Sulla porcellana d'una domenica pomeriggio,
Dipinte con gli occhi di un pescatore.

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Auguste Renoir
Le bal au Moulin de la Galette (1876)
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Mársias e a cintigrafia


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Mársias e a cintigrafia
Marsia e la scintigrafia


Mársias cintila. É belo assim recortado,
Mudado por Apolo numa paisagem radioactiva.
O deus, com grandes incêndios, deu início
A uma caça à alma, ainda e sempre a monte.
Apolo é paciente, sabe que nada
Sobreviverá à devastação química
Com que fará pagar o desafio de Mársias –
Ter apregoado a impiedade do sol,
Ter-se jactado – O sol é meu inimigo –
Para se arrancar à sua insignificância.
Apolo não o esfolará vivo:
Reserva-lhe pior – uma sorte de laboratório.
Apolo admira os músculos tangidos,
A precisão dos órgãos,
O brilho viscoso das vísceras,
A coralina arborescência
De vasos, veias, fibras,
O impulso arquitectónico de um grito,
A polpa pulsante do vivo em agonia –
Apolo ama esta luz que tudo arranca.
Sobretudo, é preciso que Mársias
Suplique ainda alguma clemência divina,
Para que a sua carne se torne mais funda,
O seu sangue, mais rico,
Para que a dor se expanda
Seguindo essa esperança condutora
Que o deus, com um sopro, fará vã.

Marsia scintilla. È bello così squartato,
Tramutato da Apollo in paesaggio radioattivo.
Il dio, con grandi roghi, diede inizio
Ad una caccia all’anima, sempre più a monte.
Apollo è paziente, sa che nulla
Sopravviverà alla devastazione chimica
Con cui farà pagare la sfida di Marsia –
L’aver proclamato l’empietà del sole,
L’essersi vantato - Il sole è mio nemico –
Di potersi sottrarre alla propria pochezza.
Apollo non lo scorticherà vivo:
Gli riserva di peggio – una sorta di laboratorio.
Apollo ammira i muscoli in evidenza,
La precisione degli organi,
Il vischioso brillio delle viscere,
La corallina arborescenza
Di vasi, vene, fibre,
L’impeto architettonico d'un grido,
La polpa pulsante dell’essere vivente in agonia –
Apollo ama questa luce che ghermisce tutto.
Soprattutto è necessario che Marsia
Supplichi anche qualche divina clemenza,
Affinché la sua carne divenga più intensa,
Il suo sangue, più ricco,
Perché il dolore si espanda
Seguendo quella speranza dominante
Che il dio, con un soffio, renderà vana.

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Tiziano Vecellio
Il supplizio di Marsia
(1575-76)
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Gaudí


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Gaudí
Gaudí


Da cidade encontrou o corpo –
As suas artérias têm tanto de ruas
Como de passo grácil, garoupa, lombada.
Não aprisionou leis, não as subjugou,
Mas criou na pedra, no ferro,
As forças para que elas se exercessem –
As leis da geologia, da biologia, da botânica,
O movimento das fibras, fustes, hastes,
No centro de uma pedra orgânica, elástica, proteica,
Uma pedra que é vide, medusa, cogumelo, chama,
Intumescências que parecem recusar qualquer traça
E cuja revolta é também ela disciplina,
Alheia a bocejos, adiposidades,
Uma vontade que é gerada no perfeito equilíbrio
Entre estática e dinâmica,
Acalanto e diatribe,
Flora e fera.
...

Della città rivelò il corpo –
Le sue arterie han l’aria sia di strade
Sia di agili movenze, di scorfano, di dorso.
Non assoggettò le leggi, non le soggiogò,
Ma creò nella pietra, nel ferro,
Le forze per far sì che s’evolvessero –
Le leggi della geologia, della biologia, della botanica,
Il movimento delle fibre, dei fusti, degli steli,
Al centro d’una pietra organica, elastica, proteica,
Una pietra che è vite, medusa, fungo, fiamma,
Rigonfiamenti che sembrano opporsi a qualunque retta
E la cui rivolta è anch’essa disciplina,
Estranea a sbadigli, pinguedini,
Una volontà generata nel perfetto equilibrio
Tra statica e dinamica,
Filastrocca e invettiva,
Flora e fiera.
...

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Antoni Gaudí
Casa Batlló (1905)


Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




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