Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est nait d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


 ACTUALITÉS DU BLOG / NOTIZIE SUL BLOG



Sincronia 1


Nom :
 
Recueil :
 
Autre traduction :
Carlos Machado »»
 
Pássaro de vidro (2006) - Horológio »»
 
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Despertador
Réveil-matin

o aço galináceo
do relógio
exibe as esporas
e canta –
 o dia
rompe a casca
na garganta
do metal

há um galo
desplumado
na essência dessa
máquina:
um galo xucro
que rasga a
coices o ventre
do minuto

um bipede
sem acessos
de bel canto
nem rompantes
nem arauto:
apenas um
animal cinzento
com marca-passo
no coração

sua voz normal
(fora do alarme)
não tem
a crista vermelha
da eloqüência;
é lingua morta
num atoleiro
de duas sílabas

mas suas esporas
afiadas riscam
as mesmas (f)agulhas
que se arvoram
nos tendões
do galo de quintal

l'acier gallinacé
de l'horloge
exhibe ses ergots
et chante –
le jour
rompt sa coquille
dans la gorge
du métal

il y a un coq
déplumé
dans la nature de cette
machine :
un coq sauvage
qui laboure à
coups d'éperon le ventre
des minutes

un bipède
sans accès
de bel canto
ni pulsions
de héraut :
un animal gris
seulement
avec un stimulateur
cardiaque

d'ordinaire sa voix
(en dehors de l'alarme)
n'a pas
la crête rouge
de l'éloquence ;
c'est une langue morte
dans le bourbier
de deux syllabes

mais ses ergots
affûtés égratignent
les mêmes (r)aiguilles
qui flamboient
sur les jarrets
du coq de basse-cour

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Fortunato Depero
Le coq (1935)
...

AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Um homem. De neblina...


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Últimos Poemas (2009) »»
 
Francese »»
«« 62 / Sommario (63) / 64 »»
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Um homem. De neblina...
Un uomo. Di nebbia...


 (Tributo a Francis Bacon)

I.

Um homem. De neblina.
A cada passo mais difuso.
Caminha para nós.
Nunca nos encontrará.
O azul não é o nosso elemento.


II.

Um grito que não é som,
Mas apenas a forma da boca:
Desejo, esconjuro, caos,
Trono, quasar, signo,
Verme tão contráctil
Como a luz de qualquer estrela.
A boca, proteica,
Para se ajustar à angústia,
À alegria, transborda
Da sua própria forma.
Após a boca, está logo a alma:
O calor que dela emana
Denuncia um anjo íncubo
Que não partiu há muito,
Deixando um sabor do sémen
Final e definitivo.
...

 (Tributo a Francis Bacon)

I.

Un uomo. Di nebbia.
Ad ogni passo più sfumato.
Cammina verso di noi.
Non c’incontrerà mai.
L'azzurro non è il nostro elemento.

 
II.

Un grido che non è suono,
Ma soltanto la forma della bocca:
Desiderio, bestemmia, caos,
Trono, quasar, segno,
Verme contrattile
Quanto la luce di qualunque stella.
La bocca, proteiforme,
Per adattarsi all'angoscia,
Alla gioia, eccede
La propria forma.
Dietro la bocca, c’è subito l’anima:
Il calore che ne emana
Denuncia un angelo incubo
Che da non molto è partito,
Lasciando un sapore di sperma
Finale e definitivo.
...

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Francis Bacon
Studio per una testa (1952)
...

Deveria ser dado que morrêssemos...


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Collezione:
 
Altra traduzione:
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Deveria ser dado que morrêssemos
Ci dovrebbe esser concesso di morire


Deveria ser dado que morrêssemos
Com um amor ainda vivo em nós,
Como deveria ser dado a um pássaro
Morrer naturalmente em pleno voo

Ci dovrebbe esser concesso di morire
Con un amore ancora vivo in noi,
Come un uccello dovrebbe poter morire
Secondo natura in pieno volo

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Joan Miró
Il volo dell'uccello sulla pianura II
(1939)
...


Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité