Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


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Balada


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Balada
Ballata


Folha enrugada,
poeira nos livros.
A pena se arrasta
no esforço inútil
de libertação.
Nenhuma vontade,
nem mesmo desejo
na tarde cinzenta.

A árvore seca
esperando seiva
não tem paisagem.
Na frente é o deserto
coberto de pedras.
Nem sombra de oásis.
Pobre árvore seca
na tarde cinzenta!

Se houvesse um castelo
com torres e dama
de loiros cabelos,
talvez eu fizesse
algum madrigal.
Mas a dama morreu,
os castelos se foram
na tarde cinzenta!

O caminho se alonga
por entre montanhas,
por campos e vales.
Talvez me conduza
ao roteiro perdido
no fundo do mar.
Mas estou tão cansado
na tarde cinzenta!

Não sou lobo da estepe;
amo a todos os homens
e suporto as mulheres.
Contudo não posso
falar com os lábios,
amar com o sexo,
porque sinto a tortura
da tarde cinzenta!

Só me restam os livros.
Vou ficar com eles
esperando que chegue
do fundo da noite,
das sombras do tempo,
oh! imenso mar,
vem me libertar
da tarde cinzenta!
Pagina sciupata,
polvere sui libri.
La penna si trascina
nell’inutile sforzo
di liberazione.
Nessuna volontà,
e neanche un desiderio
nella grigia serata.

L’albero secco
aspettando la linfa
non ha paesaggio.
Di fronte è il deserto
coperto di pietre.
Neanche l’ombra di un’oasi.
Povero albero secco
nella grigia serata!

Se ci fosse un castello
con torri e una dama
dai biondi capelli,
potrei forse fare
qualche bel madrigale.
Ma è morta la dama,
scomparsi i castelli
nella grigia serata!

Il sentiero s’allunga
tra le montagne,
per campi e per valli.
Forse mi condurrà
alla rotta perduta
in fondo al mare.
Ma son tanto stanco
nella grigia serata!

Non son lupo di steppa;
amo tutti gli uomini
e sopporto le donne.
Tuttavia io non posso
parlar con le labbra,
amare col sesso,
perché sento la tortura
della grigia serata!

Non mi restan che i libri.
Rimarrò insieme a loro
aspettando che arrivi
dal fondo della notte,
dalle ombre del tempo,
oh! immenso mare,
vieni a liberarmi
dalla grigia serata!
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Tarsila do Amaral
Terra (1943)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Acontecerá tudo num café...


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Acontecerá tudo num café...
Tout se produira dans un café...


Acontecerá tudo num café
Dos mais movimentados da cidade.
Estarás sempre a olhar para o relógio,
Só a custo ouvirei a tua voz.
Sobre a mesa, haverá uns grãos de açúcar
E o ar sufocará, espesso de fumo.

Tudo se passará, claro, como fumo –
O olvido entra já pelo café.
Solúvel como fábula de açúcar,
Até dos mapas sumirá a cidade.
Já não me guiará a tua voz,
Durante tanto tempo o meu relógio.

Tudo se grava a fundo num relógio,
Sem lágrimas ou fogo, sequer fumo.
Tudo se passa, então, quase sem voz.
Nos teus olhos escuros de café,
Vai-se desvanecendo uma cidade
Que apenas deixa um rasto de açúcar.

Tudo se passa, claro, sem açúcar,
Perder é o sentido do relógio
E qualquer tempo é fuga: uma cidade
Voa para o passado como fumo,
Arrastada num gole de café,
Cerrando-se debaixo de uma voz.

Tudo morreu assim, sem chave e sem voz.
O tempo antes medido em grãos de açúcar
Cessou na vozearia de um café,
Mas como é que se inventa outro relógio?
Para ti, o meu rosto é apenas fumo?
Para mim, o teu é uma cidade.

Tudo se passou, claro, na cidade
Onde ouço ainda os passos dessa voz.
A recordação acre sabe a fumo
E contra ela nada pode o açúcar:
Deambula, espectral, no meu relógio,
Arde no burburinho de um café.

A cidade perdeu todo o açúcar,
Mas não se esquecerá a voz, relógio
Onde o que foi é fumo num café.
...

Tout se produira dans un café
Un des plus achalandés de la ville.
Tu seras là toujours à regarder l'heure,
À entendre avec difficultés ta voix.
Sur la table, il y aura des morceaux de sucre
Et l'épaisse fumée dans l'air qui fera suffoquer.

Tout passera, c'est clair, comme fumée –
Déjà par le café rentre l'oubli.
Soluble comme une fable de sucre,
Même la ville disparaitra des cartes.
Ta voix bientôt ne me guidera plus,
Depuis si longtemps ma montre...

Tout est gravé dans le fond d'une montre,
Sans larmes ni feu, pas même une fumée.
Tout se passe alors, presque sans voix.
Dans tes yeux noirs de café,
Va se dissoudre une ville
ne laissant qu'une trainée de sucre.

C'est clair, tout se passe sans sucre,
Le sens du temps est de le perdre
Et tout laps de temps est une fuite : la ville
s'envole vers le passé comme fumée,
Une gorgée de café l'emporte,
Pour disparaître au-dessous d'une voix.

Tout est mort ainsi, sans clé et sans voix.
Le temps d'abord mesuré en morceaux de sucre
S'est arrêté dans les vociférations d'un café
Mais comment inventer une autre montre ?
Pour toi, mon visage n'est-il que fumée ?
Pour moi, le tien est une ville.

C'est clair, tout s'est passé en ville.
Où j'entends encore les pas de cette voix.
Acre souvenir ayant un goût de fumée
Et contre elle le sucre ne peut rien :
Spectrale, déambule sur ma montre,
Brûle dans le brouhaha d'un café.

La ville a perdu tout le sucre,
Mais ne s'oubliera pas la voix, cette heure
où ce qui fut est fumée dans un café.
...

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Compositions - Arlette de Bréville (née en 1931)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




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