Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


 ACTUALITÉS DU BLOG / NOTIZIE SUL BLOG



Adão e Eva


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
José Régio »»
 
Poemas de Deus e do Diabo (1925) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Adão e Eva
Adamo ed Eva


Olhámo-nos um dia,
E cada um de nós sonhou que achara
O par que a alma e a carne lhe pedia.

- E cada um de nós sonhou que o achara…

E entre nós dois
Se deu, depois, o caso da maçã e da serpente,
.. Se deu, e se dará continuamente:

Na palma da tua mão,
Me ofertaste, e eu mordi, o fruto do pecado.

- O meu nome é Adão…

E em que furor sagrado
Os nossos corpos nus e desejosos
Como serpentes brancas se enroscaram,
Tentando ser um só!

Ó beijos angustiados e raivosos
Que as nossas pobres bocas se atiraram
Sobre um leito de terra, cinza e pó!

Ó abraços que os braços apertaram,
Dedos que se misturaram!

Ó ansia que sofreste, ó ansia que sofri,
Sêde que nada mata, ânsia sem fim!
- Tu de entrar em mim,
Eu de entrar em ti.

Assim toda te deste,
E assim todo me dei:

Sobre o teu longo corpo agonizante,
Meu inferno celeste,
Cem vezes morri, prostrado…
Cem vezes ressuscitei
Para uma dor mais vibrante
E um prazer mais torturado.

E enquanto as nossas bocas se esmagavam,
E as doces curvas do teu corpo se ajustavam
Às curvas fortes do meu,
Os nossos olhos muito perto, imensos
No desespero desse abraço mudo,
Confessaram-se tudo!
… Enquanto nós pairávamos, suspensos
Entre a terra e o céu.

Assim as almas se entregaram,
Como os corpos se tinham entregado.
Assim duas metades se amoldaram
Ante as barbas, que tremeram,
Do velho Pai desprezado!

E assim Eva e Adão se conheceram:

Tu conheceste a força dos meus pulsos,
A miséria do meu ser,
Os recantos da minha humanidade,
A grandeza do meu amor cruel,
As veias de oiro que o meu barro trouxe…

Eu os teus nervos convulsos,
O teu poder,
A tua fragilidade,
Os sinais da tua pele,
O gosto do teusangue doce…

Depois…

Depois o quê, amor? Depois, mais nada,
- Que Jeová não sabe perdoar!

O Arcanjo entre nós dois abrira a longa espada…

Continuaremos a ser dois,
E nunca nos pudemos penetrar!
Ci guardammo un bel dì,
E ciascuno di noi pensò d’aver trovato
La metà che l’anima e la carne gli chiedeva.

− E ciascuno di noi pensò d’averlo trovato...

E fra di noi
Successe, poi, la storia della mela e del serpente,
... Successe, e succederà continuamente:

Sulla palma della tua mano,
Mi porgesti, e io l’addentai, il frutto del peccato.

− Il mio nome è Adamo...

E in che sacro ardore
I nostri corpi nudi e bramosi
Come bianchi serpenti s’avvinsero,
Cercando d’essere uno soltanto!

Oh baci angustiati e furiosi
Che le nostre povere bocche s’impressero,
Su di un letto di terra, di cenere e polvere!

Oh abbracci che le braccia strinsero,
Dita che s’intrecciarono!

Oh ansia che patisti, oh ansia che patii,
Sete che non s’estingue, ansia che non ha fine!
− Tu di entrare in me,
Io di entrare in te.

Così tutta ti offristi,
E così tutto mi offrii:

Sopra il tuo corpo disteso in agonia,
Mio inferno celeste,
Cento volte, esausto, morii...
Cento volte risorsi
Ad un dolore più intenso
E ad un piacere più affranto.

E mentre le nostre bocche si suggellavano,
E le sinuose curve del tuo corpo s’allineavano
Al forte profilo del mio,
I nostri occhi così vicini, enormi
Nella mestizia di quell’abbraccio muto,
Si confidarono tutto!
... E intanto aleggiavamo, sospesi
Tra la terra e il cielo.

Così le anime si offrirono,
Come i corpi s’erano offerti.
Così due metà s’adattarono
Davanti alla barba fremente,
Del vecchio Padre disdegnato!

Fu così che Eva e Adamo si conobbero:

Tu conoscesti la forza dei miei polsi,
La pochezza del mio essere,
Gli anfratti della mia umanità,
La grandezza del mio amore feroce,
I filoni d’oro trascinati dal limo che è in me...

Io i tuoi nervi vibranti,
Il tuo potere,
La tua delicatezza,
Le tracce sulla tua pelle,
Il sapore del tuo sangue dolce...

E dopo...

Dopo che cosa, amore? Dopo, più nulla,
− Ché Geova non sa perdonare!

L’Arcangelo aveva sguainato fra noi la lunga spada...

Continuammo ad essere due,
E mai potemmo penetrarci!
________________

Fernand Léger
Adamo ed Eva (1934)
...

AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Nem sempre o mundo cai de pé...


Nom :
 
Recueil :
 
Autre traduction :
Nuno Rocha Morais »»
 
Últimos Poemas (2009) »»
 
Italien »»
«« 28 / Sommaire (29) / 30 »»
________________


Nem sempre o mundo cai de pé...
Le monde ne retombe pas toujours...



 Para a Luísa

Nem sempre o mundo cai de pé,
Mas às vezes acontece,
E assim fica, serenamente pousado,
Como essa laranja em noite de Consoada,
Embrulhada junto àquilo a que, por tradição natalícia,
Chamavam chaminé,
Laranja que veio da Bahia,
Comida com método e cuidado,
Presente de família pobre.
Oxalá a memória acabe sempre
Por nos achar e trazer esta luz
Redonda, plácida, pousada,
Sem translação ou lado oculto,
Terra rara que concentra de nós
O mais elementar, o mais fundo,
O mais perdidamente frágil –
Um afecto que nem sempre nos será perdoado
Porque é da sua natureza o mal-entendido.
 Pour Luisa

Le monde ne retombe pas toujours sur ses pieds,
Mais parfois, cela arrive,
Et, il en est ainsi, comme de cette orange,
Sereinement déposée, dans la nuit du Réveillon,
Emmitouflée dans ce que, par tradition de Noël,
On nomme chausson de cheminée
Orange qui vient de Bahia,
Nourriture préparée avec soin,
Présent de famille pauvre.
J’espère que la mémoire finira toujours
Par nous trouver et nous apporter cette
Ronde lumière, calme et reposante,
Sans traduction ou côté secret,
Terre rare qui concentre sur nous
La plus élémentaire, la plus profonde,
La plus éperdument fragile –
Des affections qui ne nous sera pas toujours pardonnée
Parce qu'il est dans sa nature d'être mal-comprise.

________________


Vassily Kandinsky
Composition X (1939)



Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




Edições QUASI