Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


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A Companheira


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A Companheira
La compagna


Não te busquei, não te pedi: vieste.
E desde que eu nasci houve mil coisas
que a meus olhos se deram como igual
simplicidade: o Sol, a manhã de hoje,
essa flor que é tão grácil que a não quero,
o milagre das fontes pelo Estio.
Vieste! (o Sol veio também, a flor,
a manhã de hoje, as águas ...). Alegria,
mais calada alegria, mas serena,
entendimento puro, natural
encontro, natural como a chegada
do Sol, da flor, das águas, da manhã,
de ti, que eu não buscara nem pedira.

E o Amor? E o Amor? E o Amor?
– Vieste.
Non t’ho cercata, non t’ho pregata: sei venuta.
E dacché io sono nato ci sono state mille cose
che al mio sguardo si sono date con uguale
semplicità: il sole, l’odierna mattinata,
questo fiore tanto esile che non lo voglio,
il miracolo delle sorgenti nella calura…
Sei venuta (è venuto anche il sole, il fiore,
l’odierna mattinata, le acque…). Gioia,
ma gioia silente, eppur serena,
puro affiatamento, incontro
naturale, naturale come l’arrivo
del sole, del fiore, delle acque, del mattino,
di te che non avevo cercato né pregato.

E l’Amore? E l’Amore? E l’Amore?
– Sei venuta.
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Gustave Courbet
Gli amanti in campagna, sentimenti della giovinezza (1844)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Numa Paris que me parece tão longe...


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Numa Paris que me parece tão longe...
In una Parigi che mi sembra tanto lontana...


Numa Paris que me parece tão longe
Da outra Paris, a de turistas e postais,
Diante do canal que porta já
Estigmas de subúrbio,
Uma casa navega para o mar
Pela janela azul pintada na parede
E ao encontro dela vem um levante, o teu.
Outrora terias sido queimada
Por feiticeira só pelo brilho íncubo dos teus olhos.
Agora, é a tua beleza que, quando passas,
Queima, abrasa, insolente.
Não sou o conviva que esperavas,
Mas, à falta de tudo, deitas-te comigo
(A marca de nascença na tua perna esquerda,
O relevo delicado de um sinal
Entre a vagina e o ânus)
Na jejuada brancura de lençóis.
O teu corpo é um mercado onde se dá
A pele de canela,
Jasmim, nardo, o galope da carne,
O beijo berbere, o coração crescente.

In una Parigi che mi sembra tanto lontana
Dall’altra Parigi, quella dei turisti e delle cartoline,
Davanti al canale che reca già
Tracce di suburbio,
Una casa naviga verso il mare
Attraverso la finestra blu dipinta sulla parete
E a suo favore spira un levante, il tuo.
Un tempo saresti stata bruciata
Per stregoneria solo per il satanico brillio dei tuoi occhi.
Ora, è la tua bellezza che, quando passi,
Brucia, devasta, insolente.
Non sono il convitato che attendevi,
Ma, in mancanza d’altro, ti corichi con me
(La voglia di fragola sulla tua gamba sinistra,
Il delicato rilievo di una ferita
Tra la vagina e l’ano)
Sull’intatto candore delle lenzuola.
Il tuo corpo è un mercato ove si offre
La pelle di cannella,
Gelsomino, spigo, il galoppo della carne,
Il bacio berbero, il cuore crescente.

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Alfred Sisley
Il canale Saint-Martin, Parigi (1872)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




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