Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


 ACTUALITÉS DU BLOG / NOTIZIE SUL BLOG



A minha Geração


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Adalgisa Nery »»
 
Poemas (1937) »»
 
Francese »»
«« precedente / Sommario / successivo »»
________________


Cemitério Adalgisa
Cimitero Adalgisa


Moram em mim
Fundos de mares, estrelas-d'alva,
Ilhas, esqueletos de animais,
Nuvens que não couberam no céu,
Razões mortas, perdões, condenações,
Gestos de amparo incompleto,
O desejo do meu sexo
E a vontade de atingir a perfeição.
Adolescências cortadas, velhices demoradas,
Os braços de Abel e as pernas de Caim.
Sinto que não moro.
Sou morada pelas coisas como a terra das sepulturas
É habitada pelos corpos.

Moram em mim
Gerações, alegrias em embrião,
Vagos pensamentos de perdão.
Como na terra das sepulturas
Mora em mim o fruto podre,
Que a semente fecunda repetindo a vida
No sereno ritmo da Origem.
Vida e morte,
Terra e céu,
Podridão, germinação,
Destruição e criação.
In me convivono
Fondali marini, stelle mattutine,
Isole, scheletri d’animali,
Nuvole che il cielo non ha accolto,
Morti ideali, perdoni, condanne,
Gesti di salvaguardia incompleta,
La voluttà del mio sesso
E l’anelito di raggiungere la perfezione.
Adolescenze spezzate, vecchiaie rimandate,
Le braccia di Abele e le gambe di Caino.
Sento che non sono io ad abitare.
Sono abitata dalle cose come la terra delle tombe
È popolata di corpi.

In me convivono
Generazioni, gioie in embrione,
Incerti pensieri di perdono.
Come nella terra delle tombe
Abita in me il frutto marcio,
Che il seme feconda rinnovando la vita
Nel ritmo sereno dell’Origine.
Vita e morte,
Terra e cielo,
Marciume, germinazione,
Distruzione e creazione.
________________

Ismael Nery
La baia di Botafogo (1928)
...

AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Zoologia fantástica: um casal clandestino


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Últimos Poemas (2009) »»
 
Francese »»
«« 101 / Sommario (102) / 103 »»
________________


Zoologia fantástica: um casal clandestino
Zoologia fantastica: una coppia clandestina


São criaturas cegas que, avistadas,
Se tentam dissolver em desespero,
Mas a tensão apenas lhes quebra
Os membros – os seus ossos semelham cálamos –,
Pelo que ficam indefesos e imóveis.
Em certos casos, quando são avistadas,
O calor explode-lhes no corpo.
Depois, rompem-lhes hemorragias oculares,
Enquanto uma necrose fotossensível
Se apodera de cada célula,
Que cai sem resistência.
A sua esperança de vida é curta
(Raro sobrevivem ao primeiro cio),
Parecem ter apenas sangue de Verão.
São criaturas que não suportam
Ser imagens, e disso morrem.
Diz-se que só vêem o seu último instante.
São seres lacunares.
Finda a autópsia, levantam-se e vão.

Sono creature cieche che, avvistate,
Tentano di dissolversi nel panico,
Ma la tensione non fa che spezzare loro
Le membra – le loro ossa sembrano cannucce –,
Perciò restano indifese e immobili.
In certi casi, quando sono avvistate,
Il calore divampa nel loro corpo.
Dopo, irrompono emorragie oculari,
Mentre una necrosi fotosensibile
S’impadronisce d’ogni cellula,
Che cade senza resistenza.
La loro speranza di vita è breve
(È raro che sopravvivano al primo estro),
Pare abbiano sangue soltanto d’estate.
Sono creature che non sopportano
D’essere immagini, e di questo muoiono.
Si dice che vedano solo il loro ultimo istante.
Sono esseri lacunosi.
Finita l’autopsia, si alzano e se ne vanno.

________________

Judy Chicago
Return of the butterflies (2008)
...


Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




Edições QUASI