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« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est nait d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


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Os Estatutos do Homem


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Os Estatutos do Homem (1964) »»
 
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Os Estatutos do Homem
Gli Statuti dell'Uomo


A Carlos Heitor Cony

Artigo I
 
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
 
Artigo II
 
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
 
Artigo III
 
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
 
Artigo IV
 
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
 
Parágrafo único:
 
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
 
Artigo V
 
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
 
Artigo VI
 
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
 
Artigo VII
 
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
 
Artigo VIII
 
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
 
Artigo IX
 
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
 
Artigo X
 
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.
 
Artigo XI
 
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
 
Artigo XII
 
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
 
Parágrafo único:
 
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
 
Artigo XIII
 
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
 
Artigo Final
 
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

A Carlos Heitor Cony

Articolo I
 
Si decreta che da adesso conta la verità,
da adesso conta la vita,
e che, tenendoci per mano,
marceremo tutti verso la vita vera.
 
Articolo II
 
Si decreta che ogni giorno della settimana,
compreso il più grigio dei martedì,
avrà diritto di convertirsi in mattinata domenicale.
 
Articolo III
 
Si decreta che, a partire da questo momento,
su tutte le finestre ci saranno girasoli,
che i girasoli avranno diritto
di aprirsi anche all’ombra;
e che le finestre devono rimanere, per tutto il giorno,
aperte verso il verde dove cresce la speranza.
 
Articolo IV
 
Si decreta che l’uomo
non avrà più bisogno di
dubitare dell’uomo.
Che l’uomo confiderà nell’uomo
come la palma confida nel vento,
come il vento confida nell’aria,
come l’aria confida nell’azzurra distesa del cielo.
 
Paragrafo unico:
 
L’uomo confiderà nell’uomo
come un fanciullo confida in un altro fanciullo.
 
Articolo V
 
Si decreta che gli uomini
siano liberi dal giogo della menzogna.
Non sarà più necessario usare
la corazza del silenzio
né l’armatura delle parole.
L’uomo si sederà alla tavola
col suo sguardo limpido,
perché la verità verrà servita
prima del dessert.
 
Articolo VI
 
Si istituisce, per la durata di dieci secoli,
la pratica sognata dal profeta Isaia:
e il lupo e l’agnello pascoleranno insieme
e il loro cibo avrà lo stesso gusto dell’aurora.
 
Articolo VII
 
Per decreto irrevocabile si istituisce
il regno perenne della giustizia e della trasparenza,
e la gioia sarà una bandiera generosa
per sempre spiegata nell’anima del popolo.
 
Articolo VIII
 
Si decreta che il maggior dolore
sempre fu e sempre sarà
il non poter donare amore a chi si ama
e sapere che è l’acqua
che dà alla pianta il miracolo del fiore.
 
Articolo IX
 
Si permette che il pane quotidiano
abbia nell’uomo il segno del suo sudore.
Ma che soprattutto abbia
sempre il caldo sapore della tenerezza.
 
Articolo X
 
Si permette a qualunque persona
in qualunque istante della vita,
l’uso della veste bianca.
 
Articolo XI
 
Si decreta, per definizione,
che l’uomo è un animale capace d’amore,
e che per questo é bello,
molto più bello della stella del mattino.
 
Articolo XII
 
Si decreta che non vi saranno obblighi
né proibizioni,
tutto sarà permesso,
persino giocare coi rinoceronti
e camminare tutte le sere
con un’immensa begonia all’occhiello.
 
Paragrafo unico:
 
Una sola cosa sarà proibita:
Amare senza amore.
 
Articolo XIII
 
Si decreta che il denaro
mai più potrà comprare
il sole delle mattine future.
Scacciato dal grande forziere della paura,
il denaro si trasformerà in una spada fraterna
per difendere il diritto di cantare
e di far festa nel giorno che è arrivato.
 
Articolo Finale
 
Si proibisce l’uso della parola libertà,
che verrà soppressa dai dizionari
e dall’ingannevole pantano delle bocche.
A partire da adesso
la libertà sarà cosa viva e trasparente
come un fuoco o un fiume,
e fisserà la sua dimora per sempre
nel cuore dell’uomo.

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Carybé
Índios (1991)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Depois do leite materno...


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Depois do leite materno...
Après le lait maternel...


Depois do leite materno
E do mosto paterno,
Dos dias plácidos,
Das urtigas e dos silvados,
Dos joelhos esfolados,
Das tareias e poluções,
As noites como livros,
O mal pelo asfalto,
As festas a que não se pertence
E o amor opressivo,
Profundamente estranho.
A terra começa a exalar
A fetidez antepassada,
O sol começa a mostrar
O seu verdadeiro rosto
De demoras e omissões,
Excessos abrasadores.
A paisagem, o betão,
Já não se vestem
De ternura alguma,
De paraíso algum.
É preciso lidar
Um fogo posto
Que recusa morrer,
Um fogo a ganhar raízes
E cada vez mais alto,
Que dura para além
Do seu combustível,
Fogo malévolo e salvífico,
Hoste a engrossar no coração
Em gotas de demónio,
Polvorosa dos anjos.
Pródigo é o filho agreste
Que não volta nunca
A esta devastação.
Só a distância lhe servirá –
Só assim poderá restar
Alguma coisa
De prédios amados,
E dos ossos de antepassados,
Do pó amado,
Último reduto da carne.
O remorso do pródigo
Reverdece tudo.

Après le lait maternel
Et le sang paternel,
Les jours tranquilles,
D'orties et de broussailles,
Les genoux écorchés,
Les bagarres et les pollutions,
Des nuits comme des livres,
Le mal sur l'asphalte,
Les fêtes où l'on est sans se trouver
Et l'amour oppressant,
Profondément étrange.
La terre commence à exhaler
La fétidité ancestrale,
Le soleil commence à montrer
Son vrai visage
D'atermoiements et d'omissions,
De brûlures excessives.
Le paysage, le béton,
ne revêtent plus désormais
Aucune tendresse,
Aucun paradis.
Il faut alors faire face
à l'incendie criminel
Qui refuse de mourir,
Le feu qui prend racine
Chaque fois plus haut,
Qui dure au-delà
De sa combustion,
Feu maléfique et salvifique,
Troupe qui enfle dans le cœur
Gouttes démoniaques,
Ce tumulte d'anges.
Prodigue et rude est le fils
Qui jamais ne revient
Sur cette dévastation.
Seule la distance lui servira –
Ainsi seulement pourra rester
Quelque chose
Des demeures aimés,
Des ossements des ancêtres,
Et des cendres aimées,
Dernier bastion de la chair.
Le remords du prodigue
Viendra tout reverdir.

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Gregorio di Cecco
Vierge de l'humilité (1423)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité