Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


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Fala


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Fala
La parola


Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.

Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Não há piedade nos signos
e nem o amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.

(Toda palavra é crueldade.)
Tutto
sarà difficile da dire:
la parola reale
non è mai dolce.

Tutto sarà duro:
luce impietosa
eccessiva esperienza
troppa cognizione dell'essere.

Tutto sarà
in grado di ferire. Sarà
prepotentemente reale.
Così reale da farci a pezzi.

Non c’è pietà nei segni
né nell’amore: l’essere
è eccessivamente lucido
e la parola è densa e ci ferisce.

(Ogni parola è crudeltà).
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Olafur Eliasson
Le soleil n'a pas d'argent (2008)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Ensinamentos


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Ensinamentos
Enseignements


I.
Na minha infância, quando alguém
Andava às arrecuas,
Dizia-se que estava a ensinar
O caminho ao diabo.
Talvez órficos, sabíamos já
Que o inferno está sempre atrás de nós.

II.
Na minha infância,
Quando me queria desculpa
Junto da tia que ajudou a criar-me,
Dava-lhe beijos repenicados.
A minha tia sabia tanto do amor,
Que se sorria sempre e me chamava,
Perdoando, impostor.

III.
Nas noites álgidas,
Cobria-me até à cabeça
Com o xaile da minha tia –
Lã cor-de-rosa,
O céu da infância.

I.
Dans mon enfance, lorsque quelqu'un
Marchait à reculons,
On disait qu'il enseignait
La voie du diable.
Peut-être orphiques, savions-nous déjà
Que l'enfer est toujours derrière nous.

II.
Dans mon enfance
Lorsque je voulais m'excuser
Auprès de ma tante qui aidait ma mère à m'élever
Je la couvrais de baisers mouillés, vibrants.
Et elle connaissait si bien l'amour
Qu'elle souriait alors et, en me pardonnant,
me traitait d'imposteur.

III.
Les nuits de froide agonie
Je me couvrais par-dessus tête
Avec le châle de ma tante –
Laine couleur de roses,
Pareille au ciel de mon enfance.

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Paul Klee
Jeux d'enfants (1939)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




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