Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


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A minha Geração


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Cemitério Adalgisa
Cimitero Adalgisa


Moram em mim
Fundos de mares, estrelas-d'alva,
Ilhas, esqueletos de animais,
Nuvens que não couberam no céu,
Razões mortas, perdões, condenações,
Gestos de amparo incompleto,
O desejo do meu sexo
E a vontade de atingir a perfeição.
Adolescências cortadas, velhices demoradas,
Os braços de Abel e as pernas de Caim.
Sinto que não moro.
Sou morada pelas coisas como a terra das sepulturas
É habitada pelos corpos.

Moram em mim
Gerações, alegrias em embrião,
Vagos pensamentos de perdão.
Como na terra das sepulturas
Mora em mim o fruto podre,
Que a semente fecunda repetindo a vida
No sereno ritmo da Origem.
Vida e morte,
Terra e céu,
Podridão, germinação,
Destruição e criação.
In me convivono
Fondali marini, stelle mattutine,
Isole, scheletri d’animali,
Nuvole che il cielo non ha accolto,
Morti ideali, perdoni, condanne,
Gesti di salvaguardia incompleta,
La voluttà del mio sesso
E l’anelito di raggiungere la perfezione.
Adolescenze spezzate, vecchiaie rimandate,
Le braccia di Abele e le gambe di Caino.
Sento che non sono io ad abitare.
Sono abitata dalle cose come la terra delle tombe
È popolata di corpi.

In me convivono
Generazioni, gioie in embrione,
Incerti pensieri di perdono.
Come nella terra delle tombe
Abita in me il frutto marcio,
Che il seme feconda rinnovando la vita
Nel ritmo sereno dell’Origine.
Vita e morte,
Terra e cielo,
Marciume, germinazione,
Distruzione e creazione.
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Ismael Nery
La baia di Botafogo (1928)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Agora, também para mim...


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Agora, também para mim...
Ora, anche per me...


Agora, também para mim, na manhã póstuma,
Este silêncio é memória de uma voz,
Esta terra, um corpo.
O teu sangue, e o teu sangue
Nas entranhas desta terra,
Que será dele?
E no amor de que mundo confiarei agora?
No deste ou no dessoutro
Por que me abandonaste?
Não te esqueças de mim,
Não esqueças os meus olhos,
Que são, como sempre foram,
Um cálice aflito de palavras,
Palavras deste mundo cientes
De que os mortos não voltariam,
Mesmo que o pudessem.
O amor continua, cego,
A procurar-te dentro da morte.
Nenhum amor é precário.
Valeu a pena que tenhas morrido
Só para que eu o soubesse?

Ora, anche per me, nel postumo mattino,
Questo silenzio è memoria d’una voce,
Questa terra, d’ un corpo.
E il tuo sangue, e il tuo sangue
Nelle viscere di questa terra,
Che ne sarà di lui?
E nell’amore di che mondo confiderò ora?
In questo o in quell’altro
Perché m’hai abbandonato?
Non scordarti di me,
Non scordare i miei occhi,
Che sono, come son sempre stati,
Un calice afflitto di parole,
Parole di questo mondo consapevoli
Che i morti non torneranno,
Neppure se potessero.
L’amore ciecamente continua
A cercarti dentro la morte.
Nessun amore è precario.
È valsa la pena che tu sia morta
Solo perché io lo sapessi?

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Pierre Bonnard
Sala da pranzo in campagna (1913)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




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