Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


 ACTUALITÉS DU BLOG / NOTIZIE SUL BLOG



Considerações sobre a Morte e seus Hábitos


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Carlos Nejar »»
 
Ordenações (1969) »»
 
Francese »»
««precedente / Sommario / successivo »»
________________


Considerações sobre a Morte
e seus Hábitos
Considerazioni sulla Morte
e le sue abitudini


Visitante insólita
A morte e seu consumo.
A morte e seu apuro.
O repuxo que ela traz, o soldo.

Desde antanho
concebemos seu vulto.
Desde antanho
a projetamos
no muro do que somos.

Limpa nos parece:
arroio, lebre.

O recuo não cabe
quando, adrede,
se cala.
Eis o aviso prévio.

Para que serve então
nossa vigília,
a escola, o calendário?

Que argumento a demove
do faro,
de unha aguçada,
do presságio?

Desde antanho
o aviso que ela dá
é de hora certa,
sem rádio, telefone
ou rezas.

O aviso é sem aviso,
recibo
de contas a pagar,
atavios, conceitos.
Está onde está.

E todos mudam de lotação
ou velocípede.
Todos mudam de cômodos.
O aluguel de nível.
Todos mudam de emprego.

Só a morte,
desde antanho,
não mudou,
não se converteu
ao rebanho.
Visitatrice insolita
La morte e il suo consumo.
La morte e il suo decoro.
L’intento che la muove, la mercede.

Sin dall’antichità
c’immaginiamo il suo aspetto.
Sin dall’antichità
la proiettiamo
sul muro che noi siamo.

Pura ci appare:
ruscello, lepre.

Non ci si può sottrarre
quando, intenzionalmente,
resta in silenzio.
Ecco l’annuncio previo.

A che serve dunque
la nostra cautela,
la scuola, il calendario?

Quale motivo la dissuaderebbe
dal suo istinto,
dal suo artiglio affilato,
dal presagio?

Sin dall’antichità
l’annuncio che ci dà
è che c’è un’ora sicura,
senza radio, né telefono
o preghiere.

L’annuncio è senza annuncio,
quietanza
di conti da pagare,
ornamenti, concetti.
Sta dove sta.

E tutti cambiano mezzi pubblici
o bicicletta.
Tutti cambiano ufficio.
Aspirazione all’ascesa sociale.
Tutti cambiano occupazione.

Solo la morte,
sin dall’antichità,
non è cambiata,
non s’è conformata
al gregge.
________________

Friedrich Wilhelm Theodor Heyser
Ofelia (1900)
...

AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

Retrato


Nome:
 
Collezione:
 
Altra traduzione:
Nuno Rocha Morais »»
 
Últimos Poemas (2009) »»
 
Francese »»
«« 78 / Sommario (79) / 81 »»
________________


Retrato
Ritratto


Nuno Morais é um projecto
No bico partido de um lápis
Quando já ninguém pega num lápis.
Nuno Morais é uma farpa feroz
Na pele de alguém que se chama Nuno Morais.
Nuno Morais é a náusea de alguém
que se chama, coitado, Nuno Morais,
E como a náusea está na moda, e é tão moderna.
Desde pequeno, Nuno Morais acalenta o sonho
De ser uma fruteira como havia numa sala
[da sua infância,
Pela apurada calma dos frutos no seu regaço,
Mas, estando o intento em vias de se gorar -
A sua alma de aviário parece-lhe
Uma mesa de vidro, baça de tantos riscos -,
Nuno Morais pretende ser um quadrado
Porque ouviu qualquer coisa de Aristóteles
sobre a bondade dos quadrados.
Nuno Morais é inverosimilmente indigesto,
Mas será comido hoje, como de resto foi ontem,
Pelo corpo de um tal Nuno Morais.
Os ossos de Nuno Morais não servirão sequer de aviso,
Nem de semente, nem de matéria
Para qualquer outra estrutura atómica.
Com sorte, a mentira de que é
A carcaça fétida e simpática
Teria o privilégio de ser as fezes dos abutres
Pouco exigentes, não se desse o facto
De até para eles ser indigesto
E, de qualquer modo, é tão difícil encontrá-los,
E mais difícil ainda é encontrar um bom abutre.
Nuno Morais tem a pretensão de ser
A primeira coisa na Natureza que se perde,
O que mostra bem a sua soberba.
Se também nisto falhar, Nuno Morais
Gostará mais de pensar que foi apenas um boato.
...

Nuno Morais è un progetto
Sulla punta spezzata di una matita
Quando ormai più nessuno usa la matita.
Nuno Morais è una scheggia crudele
Nella pelle di qualcuno che si chiama Nuno Morais.
Nuno Morais è la nausea di qualcuno
Che si chiama, poveretto, Nuno Morais,
E come la nausea è alla moda, ed è così moderna.
Fin da piccolo, Nuno Morais accarezza il sogno
D’essere un portafrutta come quello d'una sala
[della sua infanzia,
Per la garbata calma dei frutti nel suo grembo,
Ma, dal momento che quest’obiettivo sta per essere frustrato -
Il suo spirito d’apicultore gli sembra
Un tavolo di vetro, opaco per troppi graffi -,
Nuno Morais aspira ad essere un quadrato
Perché ha sentito dire di qualcosa detto da Aristotele
A proposito della bontà dei quadrati.
Nuno Morais è inverosimilmente indigesto,
Ma oggi sarà mangiato, come del resto lo fu ieri,
Dal corpo di un certo Nuno Morais.
Le ossa di Nuno Morais non serviranno neppure da segnale,
Né da semente, né da materia
Per qualunque altra struttura atomica.
Con un po’ di fortuna, la menzogna di cui lui è
La carcassa fetida e simpatica
Potrebbe avere il privilegio d’essere le feci di avvoltoi
Poco esigenti, se non fosse che
Persino per loro sarebbe indigesto
E, comunque, è molto difficile incontrarli,
E ancor più difficile è incontrare un avvoltoio buono.
Nuno Morais ha la pretesa d’essere
La prima cosa in Natura che si perde,
Il che evidenzia bene la sua superbia.
Se anche in questo si fosse sbagliato, Nuno Morais
Preferirà pensare d’esser stato soltanto una diceria.
...

________________

Michelangelo Merisi detto il Caravaggio
Canestra di frutta (1596)
...


Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




Edições QUASI