Présentation du blog / Presentazione del blog

« Questo blog nasce da una grande passione per la poesia e per i poeti di lingua portoghese. Qui troverete poesie e prose poetiche seguite dalla traduzione in italiano e francese ».

« Este blogue brota de uma grande paixão pela poesia e pelos poetas da língua portuguesa. Aqui vocês encontrarão poemas e prosas poéticas, acompanhados da sua tradução em italiano e francês ».

« Ce blog est né d'une grande passion pour la poésie et les poètes de langue portugaise et a pour vocation de vous les faire découvrir. Vous trouverez ici les poèmes, en vers ou en prose, de poètes de tous horizons, accompagnés de leur traduction en italien et en français ».


 ACTUALITÉS DU BLOG / NOTIZIE SUL BLOG



Considerações sobre a Morte e seus Hábitos


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Considerações sobre a Morte
e seus Hábitos
Considerazioni sulla Morte
e le sue abitudini


Visitante insólita
A morte e seu consumo.
A morte e seu apuro.
O repuxo que ela traz, o soldo.

Desde antanho
concebemos seu vulto.
Desde antanho
a projetamos
no muro do que somos.

Limpa nos parece:
arroio, lebre.

O recuo não cabe
quando, adrede,
se cala.
Eis o aviso prévio.

Para que serve então
nossa vigília,
a escola, o calendário?

Que argumento a demove
do faro,
de unha aguçada,
do presságio?

Desde antanho
o aviso que ela dá
é de hora certa,
sem rádio, telefone
ou rezas.

O aviso é sem aviso,
recibo
de contas a pagar,
atavios, conceitos.
Está onde está.

E todos mudam de lotação
ou velocípede.
Todos mudam de cômodos.
O aluguel de nível.
Todos mudam de emprego.

Só a morte,
desde antanho,
não mudou,
não se converteu
ao rebanho.
Visitatrice insolita
La morte e il suo consumo.
La morte e il suo decoro.
L’intento che la muove, la mercede.

Sin dall’antichità
c’immaginiamo il suo aspetto.
Sin dall’antichità
la proiettiamo
sul muro che noi siamo.

Pura ci appare:
ruscello, lepre.

Non ci si può sottrarre
quando, intenzionalmente,
resta in silenzio.
Ecco l’annuncio previo.

A che serve dunque
la nostra cautela,
la scuola, il calendario?

Quale motivo la dissuaderebbe
dal suo istinto,
dal suo artiglio affilato,
dal presagio?

Sin dall’antichità
l’annuncio che ci dà
è che c’è un’ora sicura,
senza radio, né telefono
o preghiere.

L’annuncio è senza annuncio,
quietanza
di conti da pagare,
ornamenti, concetti.
Sta dove sta.

E tutti cambiano mezzi pubblici
o bicicletta.
Tutti cambiano ufficio.
Aspirazione all’ascesa sociale.
Tutti cambiano occupazione.

Solo la morte,
sin dall’antichità,
non è cambiata,
non s’è conformata
al gregge.
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Friedrich Wilhelm Theodor Heyser
Ofelia (1900)
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AUTEUR SUIVI / AUTORE SEGUITO



Nuno Rocha Morais

Nuno Rocha Morais (Porto, 1973 – Luxemburgo, 2008) foi um poeta português. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Portugueses e Ingleses) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995.

O Velho da Montanha


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O Velho da Montanha
Il Vecchio della Montagna


Tudo não é muito. Há para além disso
E um rio corre depois de acabar.
Seja como for, a importância esfolha-se
E a árvore aprende a não amar
As suas folhas, ou não demasiado –
Só o bastante para que nasçam.
Vim para ser como as pedras,
Mas ainda não alcancei esta ciência.
Há ecos, transportes, nada que seja muito;
Precisamente, um rio corre para além disso,
Até ao último fim, o último dia
Chegando à primeira noite
E mais nada precisamente.
É verdade, arrefece. Tudo se torna mais lento.
Mas há coisas que ainda voltam. Coisas.
Já não sei o que são ou como se dizem.
Às vezes, a minha memória não se deixa lembrar;
Outras, acorda luzes que não aconteceram
E, então, és tu que me guias –
Às vezes, estás viva, outras morta,
Porque eu não sei e a memória mo esconde. Coisas.
Que não voltem. Diz-lhes.
E aos outros, diz-lhes que não os abandonei,
Sei onde estão e não os guardo em túmulos.
Diz-lhes, se puderes, que a minha vida foi justa,
Tão-pouco te abandonei a ti. Diz-lhes:
Se te deixei, a isso me obrigou
A usura de outros amores que eram teus,
Diz-lhes a verdade que puderes,
Diz-lhes do paraíso o que vires,
Porque aí hão-de viver,
Na margem que lhes deres
De uma luz que não cesse,
De uma luz que depende de ti,
Se findares, o milagre extingue-se.
O que hás-de dizer é outra coisa,
A mesma coisa sempre nova.
O que te hão-de dizer é a mesma coisa:
A peste no coração, nunca além disso.
Por favor, não voltes. Já sabes tudo.
Que te amo. Deixa-me agora
Cegar, secar, ser parte da montanha.
Enquanto ela não me toma,
Ser nada mais do que este relevo
De veias e ossos,
E o odor senil de urina.

Tutto non è granché. C’è dell’altro al di là
E un fiume scorre anche dopo la fine.
Comunque sia, l’importanza si riduce
E l’albero impara a non amare
Le sue foglie, o non troppo –
Solo quel che basta perché nascano.
Sono venuto per essere come le pietre,
Ma non ho ancora afferrato questa scienza.
Ci sono echi, trasporti, niente che sia granché;
Sicuramente, un fiume scorre al di là di questo,
Fino all’ultimo fine, fino all’ultimo giorno
Giungendo alla prima notte
E niente di più, sicuramente.
È vero, si raffredda. Tutto diventa più lento.
Ma ci sono cose che ancora ritornano. Cose.
Io non so cosa sono o come si chiamano.
Talvolta la mia memoria non si lascia ricordare;
Altre volte, risveglia delle luci mai esistite,
E allora, sei tu che mi guidi –
Talvolta sei viva, altre volte sei morta,
Perché io non lo so e la memoria me lo nasconde. Cose.
Che non ritornino. Diteglielo.
E agli altri, dite loro che non li ho abbandonati,
So dove sono e non li custodisco in sepolcri.
Diglielo, se puoi, che è stata giusta la mia vita,
Che mai t’ho abbandonata a te stessa. Diglielo:
Se io t’ho lasciata, a questo m’ha obbligato
Il logorio d'altri amori che erano tuoi,
Dì loro la verità che puoi,
Dì loro ciò che del paradiso hai visto,
Perché lì dovranno vivere
Al margine che offrirai loro
D’una luce che non s’esaurisca,
D’una luce che dipende da te,
Se tu scompari, s’estingue il miracolo.
Quello che tu dirai è un’altra cosa,
La stessa cosa sempre nuova.
Quello che ti diranno è la stessa cosa:
La peste nel cuore, niente al di là di questo.
Per favore, non tornare. Sai già tutto.
Che ti amo. Adesso lascia che io diventi
Cieco, arido, che io sia parte della montagna.
Ma finché essa non m’incorpori,
Che io no sia altro che questo rilievo
Di vene e d'ossa,
E questo odore senile d'urina.

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Caravaggio
San Girolamo (1605-1606)
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Últimos Poemas (2009)

Ilustrações de Rasa Sakalaité




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